E o que me questiono, não raras vezes, é até que ponto isto não será um padrão? Uma maneira de viver as relações como se tudo tivesse que ser feito com fogo de artificio, borboletas, coração na boca, suores frios... Haverá lugar para uma relação calma, respeitosa, amiga, sem estas coisas todas? Ou serei eu viciada nesta adrenalina que chega, arrasa tudo e vai embora? Neste, gosto tanto de ti, mas não... Neste, hoje é assim, amanhã logo se vê?
segunda-feira, 27 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
segunda-feira, 16 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
A desinfelicidade
Que é exatamente o meu estado de espirito por agora. Desinfeliz.
Se a minha vida fosse um fluxograma, apenas uma questão surgiria: Sou feliz? Sim ou Não? Por mais simples que a resposta possa parecer, é das coisas mais difíceis de assumir. Sobretudo se formos infelizes.
Sempre acreditei e continuarei a acreditar na simplicidade da vida, das coisas e das pessoas. Portanto, tentarei sempre colocar-me perguntas simples e encontrar respostas simples. Quando comecei a questionar-me vezes sem conta se era feliz, tive muitas dúvidas. Primeiro achei que eu própria não sabia ser feliz. Que o problema só podia ser meu. Depois lembrei-me de coisas que me fazem feliz e pensei nos dias de sol, no cheiro das camas feitas de lavado, das gargalhadas com os amigos, nas noites de verão, nos beijos apaixonados, nas saudades da pessoa amada, na reciprocidade...
Depois, cheguei à conclusão que não preciso de muito para ser feliz. Os pequenos pormenores fazem toda a diferença. E depois lembrei-me disto da reciprocidade e de como é importante darmos e recebermos. E nisto da disponibilidade. E nisto da entrega.
E aqui, percebi o que me faltava. Olhei em todas as direções e senti-me sozinha, tola, descrente e triste. Passaram-se dias e meses. Depois decidi que tinha que traçar o meu caminho.
Vim embora.
Se estou feliz? Não. Sou desinfeliz apenas.
Agora olho em todas as direções e sinto-me sozinha, tola, descrente e triste. Mas agora sei porquê. Porque só existo eu. E não preciso de questionar mais nada. Só esperar que passe.
domingo, 1 de março de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Me(i)a culpa
Meia culpa, meia própria culpa
Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade.
Fosse eu invocada por voz de macho. Fosse eu retirada da ausência por desejo de alguém. Me tivesse calhado, ao menos, um homem completo, pessoa acabada. Mas não, me coube a metade de um homem. Se diz, de língua girada: o meu cara-metade. Pois aquele, nem meu, nem cara. E se metade fosse, não seria só a cara, mas todo ele, um semimacho. Para ambos sermos casal, necessitaríamos, enfim, de sermos quatro.
A meu esposo chamavam de Seis. Desde nascença ele nunca ascendeu a pessoa. Em vez de nome lhe puseram um número. O algarismo dizia toda a sua vida: despegava às seis, retornava às seis. Seis irmãos, todos falecidos. Seis empregos, todos perdidos. E acrescento um segredo: seis amantes, todas actuais.
Mia Couto
Nisto das metades, há que escolher bem se as metades valem a pena. Amar pela metade? Dizer pela metade? Fazer pela metade? Haverá espaço para existirmos inteiros?
Portanto não tenho acessos de independência nem desejos de super mulher. Só quero garantir que depois do adeus, eu consiga pregar um prego em condições, ainda que volte a dormir sozinha.
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