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Entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar
uma ferida de que não conseguimos
regressar
e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios
Alice Vieira
Deveria existir dentro de cada um de nós uma despensa emocional para onde enviávamos todas as nossas mágoas. Aqui nesta despensa elas ficavam guardadas e seriam recicladas e transformadas em coisas boas. Não morariam em nós eternamente, mas apenas pelo tempo necessário; aquele tempo estritamente necessário em que temos que aprender alguma coisa e onde ficam registadas as memórias suficientes para não nos colocarmos em situações idênticas mais vezes. Depois disto, a ferida e a mágoa seriam apagadas para não morarem mais em nós, para podermos regressar delas sem nunca mais voltar. E seríamos nós e inteiros uma e outra vez...