No meu tempo, aquele em que proliferaram as Anas, Saras, Patrícias, Cátias e ainda os Joões, Ricardos e Pedros, nós sabíamos que uma Constança, Mariana (ou Maria Ana), Matilde ou Madalena, eram nomes acompanhados de três sobrenomes, cujos papás tratavam os progenitores por você, levando-os ao colégio privado, num carro de gabarito e despedindo-se com um beijinho.
Hoje não sei como se vão distinguir as Madalenas, Matildes e Bernardos desta vida, quando os agregamos aos Silva, Sousa ou Lopes. Onde residem uns e outros se não lhes acrescentarmos os apelidos?
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
De como eu gosto dos meus ovos
Mesmo que vivesse 500 anos, não seriam suficientes para perceber a descaracterização que vejo em algumas pessoas quando, com o passar do tempo, se tornam iguais aos seus parceiros.
São no fundo as Julia Roberts* da vida real, que gostam dos ovos por osmose dos gostos do parceiro. Mexidos, escalfados, estrelados ou cozidos, só se eles também gostarem. E sobretudo, porque eles gostam.
Nunca entendi se esta assunção de gostos de dá realmente por osmose, por falta de memória, ou apenas porque é mais fácil concordar. Nunca entendi que alguém se perca de tal ordem (ou nunca se havia encontrado?) que não se lhe veja nenhum interesse por coisa alguma. Como se chega ao fim do dia sem saber se aquela música que gostamos é porque realmente gostamos ou porque nos habituamos a gostar? Se aquele hobbie que tanto prazer nos dava, nos passou a cansar ou deixou de fazer sentido porque ao outro também não fazia sentido?
No final do dia quem passámos a ser? Quem sempre fomos? Quem deixámos para trás?
* (Noiva em Fuga)
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
De como os livros me salvam dos demónios
http://weheartit.com/entry/257579402
Este verão li compulsivamente. Entrei em cada um dos livros que li e acontece que quase me sinto numa meditação, sem o ser.
A minha última aquisição é de uma escritora italiana, Elena Ferrante, que me assoberbou completamente para dentro de uma escrita despretensiosa e ainda assim tão real e tão simples. Nunca, em obra alguma revi tão densamente o poder e contornos de uma amizade que se concebe fora dos clichés. Do 'estarei para o que precisares', ' conta sempre comigo', 'gosto muito de ti'. Pelo contrário, faz-nos pensar nos lados mais sombrios e mais bonitos de que uma amizade é feita, para lá do encantamento das coisas boas de duas pessoas. Alicerça-se, antes de mais e para além de tudo, na admiração e competição de dois horizontes tão distantes entre si, que, sem se tocarem, não passam um sem o outro.
Leio este livro e penso no sentido das minha amizades ao longo da vida. Felizmente soube escolher bem. Consigo conciliar nos meus amigos aquilo que me traz equilíbrio e paz todos os dias, sem esperar deles mais do que aquilo que cada um consegue dar. Lembro-me de ter lido uma vez, algures, que não podemos esperar todas as qualidades que apreciamos em todos os amigos. Acho que foi por isto que abandonei há muito tempo o conceito de melhor amigo. Aquele ser único. Consigo ver coisas boas em todos os meus amigos, mas não tudo aquilo que aprecio num único entre eles. E isso libertou-me de certa forma.
Este livro trouxe-me isso à memória e à consideração. Enquanto penso nestas coisas, não penso noutras.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Mam'Zelle, este post é para ti

http://data.whicdn.com/images/235166743/large.jpg
Recebi um mail estas férias. De uma leitora deste blog (a única, talvez), que me escreveu: três meses sem escrever nada. Não achas que é muito, não?
Sorri. Acenei com a cabeça como se ela me estivesse a ver e respondi que sim, que era. Que efetivamente não escrevia porque me tinha morrido a inspiração e porque a minha vida deixara de ter coisas giras para se escrever. E até as minhas opiniões, as milhentas coisas que me passam na cabeça quase deixam de ser 'escrevíveis'...
Hoje sentei-me e escrevi. Escrevo. Não sei bem sobre o quê. Perguntas-me o que penso quando me sento no sofá e olho para a vida que tenho. Honestamente e comparativamente só posso sentir gratidão: pelo que tenho, por quem tenho, por quem sou e por quem me permitem ser. Agradeço sempre.
E depois.... E depois penso se já me esgotei. Se é isto que posso esperar. Se terei alcançado aquilo que gostava realmente de ver em mim. Se a rotina instalada me vai abafar aos poucos. Se me vier a conformar com aquilo que me satisfaça minimamente. E tenho medo, muito medo. Já te disse o quanto tenho medo de ter uma vidinha? Um dia escrevo um post sobre o que é isto de ter uma vidinha.
Confesso que nestes últimos tempos tenho tido medo. Daquilo para que vou olhar daqui a uma década ou duas. Da pessoa que me posso vir a tornar. De tudo aquilo que ficou por dizer, por fazer, por concretizar e sobretudo por saber...
Depois faço uma pausa no zapping, levanto-me do sofá e volto à vidinha... a esta que tanto temo!
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Me, my demons and I
Das piores armas que tenho comigo são os demónios que vivem dentro da minha cabeça e que acordam de vez em quando. Muitas vezes acordam quando eu estou a dormir e eu vejo-os nos meus sonhos. Outras vezes aparecem quando estou acordada e eu tento acalmá-los.
O maior exercício a que me tenho proposto é sentá-los, mentalmente, todos à mesa comigo. Encetamos uma conversa corriqueira e amigável, em que eles vão perdendo a importância que têm e vão ficando pequeninos. É assim que tento domá-los. Já percebi que não posso aniquilá-los e portanto o melhor mesmo é viver com eles numa paz possível. Um dia sei que perderão toda a importância que têm, mas hoje ainda precisam de jantar...
segunda-feira, 2 de maio de 2016
O mundo não anda para a frente #1
O mundo não anda para a frente sempre que uma amiga tua te deixar pendurada para tentar a sorte, pela 3746º vez, com um gajo que não lhe liga nenhuma.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Voltar sempre... mas ir eternamente
O Janeiro passou e o Fevereiro também. Altura em que escrevi aqui o meu último post. Desde aí já completei mais um aniversário, já fui e voltei de África, já meti na cabeça que a vida não dá a volta sozinha e que as coisas por aqui são sempre cozidas em banho-maria o que significa que até ficarem completamente cozinhadas, tem que ser devagar, com tempo e muita paciência.
Por partes.
Tivesse ou não a consciência de como seria 2016, uma das coisas que me propus foi viajar. Pelo menos uma das viagens teria que ser para longe. E foi. Comprei um bilhete de avião, mentalizei-me que teria que esperar 10 horas e meia para lá chegar e fui ter com a minha amiga do coração a Moçambique. A cabeça veio comigo, mas eu não lhe dei muita importância. Poder estar longe de casa, pouco agarrada às tecnologias e agradecer cada hora do dia em que não temos wi fi foi a melhor terapia que consegui.
Depois o calor e os bichos e as praias desertas e os caminhos de terra batida e a simplicidade de existir. Fiquei pequenina, que é o que se sente quando percebemos que existir é tão mais simples do que julgamos aqui. Ás vezes é preciso ficarmos pequeninos para voltarmos a ficar grandes e acho que viajar me proporciona isso. Voltei cheia. Cheia de vontade, cheia de saudades, cheia de ir, ir sempre. Voltei com 34 anos, mais velha, mais madura, mais certa e mais inconformada. E é por isto que sei que o caminho é para a frente!
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