Mesmo que vivesse 500 anos, não seriam suficientes para perceber a descaracterização que vejo em algumas pessoas quando, com o passar do tempo, se tornam iguais aos seus parceiros.
São no fundo as Julia Roberts* da vida real, que gostam dos ovos por osmose dos gostos do parceiro. Mexidos, escalfados, estrelados ou cozidos, só se eles também gostarem. E sobretudo, porque eles gostam.
Nunca entendi se esta assunção de gostos de dá realmente por osmose, por falta de memória, ou apenas porque é mais fácil concordar. Nunca entendi que alguém se perca de tal ordem (ou nunca se havia encontrado?) que não se lhe veja nenhum interesse por coisa alguma. Como se chega ao fim do dia sem saber se aquela música que gostamos é porque realmente gostamos ou porque nos habituamos a gostar? Se aquele hobbie que tanto prazer nos dava, nos passou a cansar ou deixou de fazer sentido porque ao outro também não fazia sentido?
No final do dia quem passámos a ser? Quem sempre fomos? Quem deixámos para trás?
* (Noiva em Fuga)
