sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que dói às aves

Darkness
 http://weheartit.com/entry/202837831/search?context_type=search&context_user=HappyAsylum&page=2&query=birds



Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas que,
Uma vez atingidas,
O caçador não repare na sua queda.
Alice Vieira 



Do mesmo modo, o que realmente lhe dói não foi o ter sido atingida, não foi o tiro que levou e que a fez dar uma queda. O que lhe doeu foi mesmo o tamanho da queda porque ela podia estar a voar baixo, que podia, mas ela voava bem alto. Quando foi atingida não se lembrou da queda, nem das reviravoltas no ar. Não se lembrou sequer do sítio onde caiu. Tinha caído. Há diferença do sítio onde se cai?

O que realmente lhe doeu é que levou um tiro, quando estava a voar tão alto, cheia de esperança que àquela altitude tudo fosse tão mais bonito e verdadeiro e esperançoso. E quando estava a gozar plenamente do seu voo, levou um tiro. E ainda assim, o que lhe doeu nem foi o tiro, foi o depois da queda. É que depois de um tiro tão certeiro, espera-se que o caçador venha buscar a presa (que ao menos tenha valido o sacrifício). Mas não. O caçador apontou para caçar uma nova ave. O que o motivava mesmo era saber que acertava. 
A nova ave voava perto do chão. Pareceu-lhe até que já a tinha visto. Decidiu acertar-lhe. A ave caiu-lhe no colo. Desta vez achou que valia a pena cuidar da sua caça. 

A outra ave, não se sabe dela, nem onde caiu, nem o tamanho do estrago na asa. Sabe-se apenas que sobreviveu.

Crê-se que voltará a voar...



 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mai nada!

 

Não, não preciso de terapia. O que preciso mesmo é de litros de vinho, das minhas amigas e de um bocado de sorte com as pessoas que apanho pelo caminho. 



quarta-feira, 30 de setembro de 2015



Hoje, dia 30, faço exactamente 33 anos e meio. Estou de parabéns todos os dias, mas hoje especialmente.
Os 33, a idade de Cristo, para uns tão reveladora, para mim tem sido reveladora pelos motivos menos nobres, mas acredito piamente que os restantes seis meses que aí vêm, sejam definitivamente melhores.
Sem pedir nada ao universo (hoje é quarta-feira) chegou-se hoje ao pé de mim uma senhora (do local onde trabalho) para me dar, de modo meio disfarçado, uma medalha de São Bento. Diz ela que assim estou protegida contra todos os males. Esta senhora, que é uma querida, não sabe das minhas descrenças, mas de qualquer modo, fiquei sensibilidade pela atitude e, embora religiosamente não me diga nada, vou fazer-me acompanhar desta medalha.Pelo sim pelo não, mal não fará.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Post que devia ter ido ontem

Disseram-me um dia, para quem acredita e tem fé em alguma coisa, que devemos agradecer ao universo todas as coisas boas que temos e pedir-lhe o que gostaríamos que nos acontecesse.Normalmente devemos fazer este pedido à quarta-feira. Não me perguntem porquê. Não sei.
Como sou uma pessoa de fé, mas muito pouco religiosa, tenho o ritual de, pelo menos em pensamento, pedir ao universo que me traga coisas positivas e que, o mundo sendo redondo como dizem que é, me devolva a paz e serenidade que foi perdida algures.Eu tenho feito a minha parte, se tenho. Continuo a tentar manter a minha sanidade mental assegurada, dentro do possível e sinceramente começo a cansar-me desta dramalhada toda em que sinto a minha vida. Que sinto apenas, porque efetivamente não há assim nenhuma dramalhada pela qual valha a pena chorar.
É certo que há situações e pessoas que, por obra ou destino, ou vontade própria aparecem na nossa vida para nos acrescentar nada. E aceitar isto é que me custa. Mas quem me convenceu que as pessoas têm que ser gentis comigo? Ou honestas? Ou verdadeiras? Não têm. E lidar com isso faz parte do processo de aceitação. De que as coisas são como são e têm que ser. Não há volta a dar. Não há como corrigir o passado. Não há como fazer de novo. Ou não fazer de todo.

sábado, 5 de setembro de 2015

De tudo o que não quis ser



Quando, há três meses atrás, decidi bater com a porta e sair definitivamente temi muito os meus dias maus. Os dias em que me seria difícil sair da cama, conviver, comer, estar. Entretanto os maus dias não vieram logo. Vieram depois, um tempo depois, quando acabo por saber de outras e tantas coisas que nesta fase não me acrescentariam nada, mas que, pelos vistos não podia passar sem saber delas. 
E quando os maus dias chegaram, eu deixei de saber lidar com eles. Não sei lidar com os meus pensamentos, com todas as situações que poderia ter evitado, com toda a não vontade de fazer o que quer que seja. Não sei lidar com este vazio nem com as palavras clichezadas de consolo.  E pior. Não sei mesmo lidar com a pessoa que me permiti a ser, nem tão pouco perdoar-me. E esta porra eu desconhecia!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015