quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Me(i)a culpa

Meia culpa, meia própria culpa


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Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade.
Fosse eu invocada por voz de macho. Fosse eu retirada da ausência por desejo de alguém. Me tivesse calhado, ao menos, um homem completo, pessoa acabada. Mas não, me coube a metade de um homem. Se diz, de língua girada: o meu cara-metade. Pois aquele, nem meu, nem cara. E se metade fosse, não seria só a cara, mas todo ele, um semimacho. Para ambos sermos casal, necessitaríamos, enfim, de sermos quatro.
A meu esposo chamavam de Seis. Desde nascença ele nunca ascendeu a pessoa. Em vez de nome lhe puseram um número. O algarismo dizia toda a sua vida: despegava às seis, retornava às seis. Seis irmãos, todos falecidos. Seis empregos, todos perdidos. E acrescento um segredo: seis amantes, todas actuais.

Mia Couto

Nisto das metades, há que escolher bem se as metades valem a pena. Amar pela metade? Dizer pela metade? Fazer pela metade? Haverá espaço para existirmos inteiros?
Senhoras feministas que não rapam os sovacos e que mudam na boa um pneu furado para que em nada fiquem atrás dos homens, venho dizer-vos que o único motivo que me leva a mudar as lâmpadas cá de casa, a pregar pregos na parede e a desentupir sanitas é simplesmente para, quando as coisas correrem muito mal, eu só sentir a falta dele na minha cama.

Portanto não tenho acessos de independência nem desejos de super mulher. Só quero garantir que depois do adeus, eu consiga pregar um prego em condições, ainda que volte a dormir sozinha.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Never, never...

cinderella story.
A verdadeira estória por trás da estória! Para quem passava a vida a esfregar, limpar, arrumar, aturar as irmãs velhacas e a madrasta horrível, achavam mesmo que o que ela mais queria era encontrar um príncipe encantado? Ela só queria borga em cima de saltos altos e de um vestido elegante.
Esta mania de inverterem as estórias...


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015



Depois de um interregno disto dos blogs (nem para lê-los, nem para escrevê-los), é possível que eu esteja de volta a escrever por aqui qualquer coisita.

domingo, 21 de setembro de 2014

Será pedir muito?

Eu sei que é difícil entender uma mulher. Por isso mesmo, nada melhor que uma mulher para entender outra. Não há melhor. Tenho pena até que os homens não venham com um chip qualquer feminino para nos entenderem tal e qual como queremos que eles nos entendam.

Quando desabafamos que nos sentimos sozinhas, que estamos stressadas, que não estamos felizes com alguma coisa, respostas como -  estás sozinha porque queres! Stressas porque queres! Estás infeliz porque queres! -  NÃO são válidas!!!

Se eu desabafar isto com outra mulher, nós vamos estar ali a esmiuçar a questão até ao tutano. Então mas o que se passa? E porquê? E como? E quando? Até podemos não chegar a conclusão nenhuma, mas carpimos tudinho até nos cansarmos. Nenhuma mulher amiga me vai dizer que estou assim porque quero!

Ora os homens também podiam vir com esta capacidade de questionar muitas coisas e depois ficar a OUVIR! Sim, ouvir com atenção. Ouvir sem dizer hum hum de 2 em 2 minutos e a fazer zapping!

Isto é difícil?
Eu acho que é coisa capaz de ser possível.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Madura, mas não a cair de madura...

10Lexeis


Eu não gosto de envelhecer. Minto. Eu tenho pavor de envelhecer. E tento fugir disso a todo o instante, mas o tempo apanha-me todos os dias e o espelho começa a refletir aquela ruga que teima em aparecer, os cabelos brancos que se multiplicam, o metabolismo que está preguiçoso e perder um quilo é obra de santa engrácia. 

Por tudo isto mantenho o meu estilo muito informal, muito' estou-arranjada-mas-só-o-que-me-é-confortável' para, ainda assim me conseguirem dizer: 32? Não diria mesmo! 
Só preciso de continuar a ouvir isto. E pintar o cabelo também. E começar a sorrir para o lado direito porque a minha ruga da esquerda está vincada porque sorrio bem mais para a esquerda. 
Ando a adiar investir num bom anti-rugas porque só o rótulo me dá arrepios na espinha. 
Tudo, a partir de agora vai passar a correr. E eu à espera que ainda me aconteçam muitas coisas boas na vida antes de esgotar o stock de tinta para o cabelo.

Bom, mas isto para dizer que enquanto corro contra o tempo, enquanto faço o possível para me continuarem a dizer 32? A sério? vejo que as miúdas de vintes e poucos andam cheias de pressa de serem gente grande. E pela maneira como desfilam convencem qualquer um. Ele é todo um outfit de roupa, acessório e maquiagem que põem a um canto os vinte e poucos anitos. Elas é de copo de vinho na mão, num grupo de amigas todas iguais, que acabaram de se vestir umas para as outras, conversando muito seriamente de coisas que elas se julgam bastante entendidas (oh já por lá passei, sei como é!). Depois, lá se descaem nos propósitos de parecerem grandes quando continuam a babar pelo sexo masculino que as veio cumprimentar, pela quantidade de fotos que tiram, pelos elogios forçados umas às outras, num grito estridente do 'Estásssssssssss tãooooooooooo giraaaaaaaaaaaaaaa! E por aí adiante. 

Para mim é só muito bom assistir. Mesmo que no finalzinho me faça sentir velha. Porque com menos 10 anos eu não repararia nestas coisas e estaria numa figura um tanto ou quanto parecida!